Por Itamar Batista
Entre os dias 17 e 22 de maio de 2026, Baku, no Azerbaijão, foi o epicentro do debate sobre habitação global. O Fórum Urbano Mundial da ONU-Habitat (WUF13) reuniu mais de 57.000 participantes de 176 países, tornando-se o maior evento da história do fórum em seus 24 anos de existência.
A Diretora de Relações Institucionais e Incidência da TETO Brasil, Camila Jordan, que representou a TETO no evento, conta que a participação ocorreu em “quatro painéis que nos permitiram levar a perspectiva das favelas brasileiras a um público internacional altamente qualificado”. Além da participação nas discussões, a Organização se reuniu com a diretoria executiva da ONU-Habitat, Anacláudia Rossbach.
A escolha do tema do fórum não poderia ser mais próxima do que vivemos todos os dias. Um estudo da Fundação João Pinheiro estimou que cerca de 26,5 milhões de famílias brasileiras moravam em casas com algum tipo de inadequação. O tema do WUF13, “Moradia para o mundo: cidades e comunidades seguras e resilientes”, lançou um holofote global sobre a urgência de enfrentar a crise habitacional e de posicionar a moradia como pilar do desenvolvimento urbano inclusivo, resiliente e sustentável.
A agenda do fórum foi organizada em seis grandes diálogos, cada um abordando uma dimensão diferente da crise: a crise habitacional global e o que fazer diante dela; a transformação de assentamentos informais e favelas; a moradia como centro da recuperação em situações de crise e de reconstrução; a relação entre clima e moradia; o poder social e econômico da habitação; e um novo acordo para o financiamento habitacional. Ao longo da semana, esses temas se desdobraram em sessões especiais, mesas-redondas governamentais e sessões de articulação entre organizações da sociedade civil de todo o mundo. Todas essas são perguntas que a TETO também faz e responde com ações em território.
A presença no WUF13 não foi uma ação isolada. Ela faz parte de uma atuação cada vez mais integrada entre as atividades em território, o diálogo com a população e os espaços de decisão política. Na TETO, a atuação de incidência caminha sempre lado a lado com a ação em território, onde seguimos construindo moradias resilientes ao lado de famílias em situação de emergência habitacional, com a comunidade no centro do processo.
No dia 11 de junho, será realizado o primeiro Fórum Brasileiro de Moradia e Clima, organizado pela TETO Brasil e pelo Fundo FICA, que conecta a pauta habitacional à crise climática e reconhece que as favelas são, ao mesmo tempo, as que menos contribuem para as mudanças do clima e as que mais sofrem seus impactos. Essa conexão está documentada no Panorama Climático das Favelas, estudo da TETO que mapeia como eventos climáticos extremos afetam, de forma desproporcional, as populações que vivem em assentamentos informais.
O WUF13 se encerrou com a adoção de um Chamado à Ação, um documento concebido para acelerar o progresso global em habitação adequada e desenvolvimento urbano sustentável. Delegados partiram de Baku com 15 recomendações, elaboradas a partir de uma semana intensa de engajamento entre representantes de governos, sociedade civil, academia e comunidades. A TETO contribuiu diretamente na revisão do Chamado e segue contribuindo, de Baku às favelas do Brasil.
*editor do blog da TETO Brasil


