Ir para o conteúdo
  • Selecione o país
    • América Latina
    • Argentina
    • Bolívia
    • Brasil
    • Chile
    • Colombia
    • Costa Rica
    • Equador
    • El Salvador
    • Guatemala
    • Haití
    • Honduras
    • México
    • Panamá
    • Paraguai
    • Perú
    • República Dominicana
    • Uruguai
    • Venezuela
    • Estados Unidos
    • Europa
  • Selecione o país
    • América Latina
    • Argentina
    • Bolívia
    • Brasil
    • Chile
    • Colombia
    • Costa Rica
    • Equador
    • El Salvador
    • Guatemala
    • Haití
    • Honduras
    • México
    • Panamá
    • Paraguai
    • Perú
    • República Dominicana
    • Uruguai
    • Venezuela
    • Estados Unidos
    • Europa
  • br
  • Início
  • Sobre a TETO
    • Quem somos
    • Por que existimos
    • Transparência
      • Relatórios
    • Onde estamos
  • O que fazemos
    • Nossos projetos
    • Modelo de trabalho
    • Mapa de Direitos
  • Faça parte
    • Doação
    • Voluntariado
    • Parcerias com empresas
  • TETO pelo RS
  • Blog
  • Início
  • Sobre a TETO
    • Quem somos
    • Por que existimos
    • Transparência
      • Relatórios
    • Onde estamos
  • O que fazemos
    • Nossos projetos
    • Modelo de trabalho
    • Mapa de Direitos
  • Faça parte
    • Doação
    • Voluntariado
    • Parcerias com empresas
  • TETO pelo RS
  • Blog
Doe Agora

Como é participar de uma construção da TETO pela primeira vez?

  • terça-feira, 04 de agosto de 2026

*Por Melina Cattoni

Antes de apertar o primeiro parafuso, quem chega a uma construção da TETO costuma carregar algumas perguntas como “Preciso entender de obra?”, “Devo levar ferramentas?”, “O que vou conseguir fazer?”. Por trás dessas dúvidas, existe uma insegurança comum às primeiras vezes: será que a minha presença vai ajudar ou criar mais trabalho para quem já sabe construir?

A dúvida é legítima. Uma moradia será erguida ao longo de um fim de semana, com materiais para organizar, medidas a conferir, tarefas encadeadas e um prazo concreto para concluir a entrega. Vista de fora, a atividade pode parecer reservada apenas a quem domina ferramentas, técnicas e etapas.

No terreno, o ponto de partida é o encontro entre repertórios distintos. Quem nunca segurou uma ferramenta aprende ao lado de voluntários mais experientes. Quem conhece a execução precisa encontrar uma maneira clara de compartilhá-la. A família de moradores que irá receber a casa acompanha, coloca a mão na massa e traz o saber de quem vive naquele território. Cada participante chega por um caminho e descobre onde pode contribuir.

Felipe Canto, urbanista e gestor da TETO na Bahia (BA), identifica duas motivações frequentes entre os estreantes das construções. Alguns recebem o convite de um amigo ou conhecido que recomenda a vivência. Outros descobrem a organização pelas redes sociais e procuram um modo concreto de se envolver com uma causa coletiva.

Nos dois caminhos, a vontade costuma vir antes da familiaridade com a obra. A possibilidade de construir uma moradia em até 48 horas impressiona e aumenta o receio de chegar despreparado. Por isso, a recepção começa antes do encontro com a comunidade. Nos grupos de comunicação, as equipes da TETO orientam o que é necessário levar para a atividade e apresentam a dinâmica do evento. Segundo Felipe, o acolhimento de quem não tem experiência faz parte do processo das construções.

Diálogo entre diferentes saberes possibilita novas moradias

Em cada mutirão, as lideranças carregam uma cópia impressa do manual construtivo. As páginas reúnem medidas, materiais e etapas, indicam a sequência do serviço e ajudam a conferir como cada componente da casa deve ser executado. O documento orienta a obra. Traduzir essas indicações para um grupo diverso exige outro saber.

Quem conduz a equipe explica onde colocar as mãos, como usar uma ferramenta, por que determinada etapa acontece naquele momento e de que modo interfere nas seguintes. Também observa quem ainda não compreendeu, quem está pronto para assumir uma nova tarefa, quem necessita de acompanhamento e quem permanece em silêncio por receio de perguntar.

Duas lideranças acompanham o grupo responsável pela moradia de uma família. Ambas já viveram outros mutirões e, quando uma delas assume a função pela primeira vez, costuma atuar ao lado de alguém mais experiente. Assim, até quem ensina continua aprendendo.

Segundo Felipe, a liderança requer uma visão ampla. Cabe a ela organizar o tempo, distribuir responsabilidades, acompanhar o andamento das frentes, traduzir orientações e aproximar voluntariado e família. A habilidade técnica sustenta uma parcela dessa atuação. A capacidade de coordenar pessoas e relações faz o esforço coletivo avançar.

Na capacitação dessas lideranças, uma recomendação reúne as duas dimensões: “Você precisa explicar o que está fazendo, por que está fazendo e como fazer bem-feito em cada etapa do processo”.

A ordem da frase mostra como alguém sem experiência consegue entrar na atividade. Saber o que fazer permite começar. Entender a razão daquela escolha revela sua ligação com o restante da casa. Aprender a executá-la corretamente oferece segurança para revisar o próprio gesto e reconhecer a hora de pedir ajuda.

Diante de um parafuso, uma peça de madeira e uma ferramenta desconhecida, surgem decisões que passam despercebidas para quem já repetiu o movimento muitas vezes: como posicionar as mãos, onde apoiar o material, quanta força aplicar e como perceber se o encaixe está alinhado. Ensinar exige transformar o automático em palavras, demonstração e acompanhamento.

O mesmo vale para participantes das áreas de arquitetura, engenharia ou outros campos técnicos. Eles podem conhecer equipamentos e maneiras diferentes de medir, cortar ou encaixar. A TETO adota métodos mais manuais, aperfeiçoados ao longo dos eventos e adequados às condições disponíveis em campo. O repertório profissional se soma à atividade e também precisa reconhecer a liderança preparada para aquela frente.

Os moradores conhecem o terreno, a rotina e as necessidades da casa. As lideranças dominam a sequência das tarefas e a dinâmica da equipe. Voluntários antigos identificam dificuldades recorrentes. Os iniciantes formulam perguntas que levam o grupo a tornar explícitas escolhas já incorporadas à prática.

Cada pessoa conhece um pedaço, e a moradia avança quando esses saberes conseguem dialogar.

É nesse ponto que Felipe fala em gestão social. Erguer a estrutura ocupa o centro do fim de semana, mas o modo de trabalhar também compõe o resultado. A família acompanha as decisões, participa das atividades e se reconhece no que está sendo feito. O voluntariado compreende a finalidade da ação, a realidade local e as necessidades que permanecerão após a entrega.

À medida que as paredes ganham forma, uma tarefa aparentemente simples passa a carregar questões maiores. “Para onde vai esta peça?”, “Por que este método foi escolhido?”, “Quais direitos atravessam a situação vivida naquele endereço?”

O que foi compartilhado em dois dias passa a integrar o repertório do território. Esse desdobramento ajuda a explicar a importância da presença comunitária na metodologia. A moradia emergencial responde a uma necessidade concreta e urgente; a jornada também amplia capacidades existentes e apoia outras iniciativas.

Na leitura de Felipe, essa circulação contribui para o fortalecimento da comunidade. A intenção é que os moradores compreendam as escolhas feitas, reconheçam o valor do que ajudaram a erguer e levem o aprendizado para novos caminhos de organização e busca por direitos.

A relação com a casa também continua depois que as ferramentas são guardadas. As condições habitacionais influenciam a convivência, a privacidade, as redes de apoio e a possibilidade de permanecer perto das pessoas e dos lugares que sustentam a vida cotidiana. Por isso, discutir moradia digna envolve compreender os vínculos construídos dentro e ao redor de cada casa.

As trocas durante o mutirão também ultrapassam a parte técnica. Enquanto a equipe mede, carrega, encaixa e fixa materiais, as conversas alcançam estudo, trabalho, habitação e acesso à cidade. Felipe recorda moradoras que haviam interrompido os estudos e, depois de conversar com jovens universitários durante uma atividade, sentiram-se incentivadas a retomar a trajetória escolar ou considerar o ingresso na universidade.

Esses diálogos não seguem um roteiro nem produzem sempre o mesmo efeito. Eles ampliam possibilidades. Alguém pode enxergar um caminho que antes parecia distante. Outro participante talvez perceba que sua bagagem acadêmica não basta para compreender a realidade de uma comunidade. Uma pergunta feita pela família também pode mudar a maneira como o grupo lê o território.

Muito além dos livros: o aprendizado que nasce do território

A TETO chama essas aproximações de encontros improváveis. A expressão revela uma característica das cidades: pessoas podem viver a poucos quilômetros de distância e percorrer mundos que raramente se cruzam. Bairros, trajetos, espaços de convivência e diferenças de acesso mantêm essas vivências separadas e mostram por que o direito à cidade também depende de pertencimento, voz e acesso a oportunidades.

Durante o mutirão, essa distância sofre uma interrupção. Gente de contextos diversos divide uma tarefa, um espaço e uma responsabilidade. A convivência breve não resolve as desigualdades urbanas, mas permite percebê-las por meio de histórias, rostos e situações concretas. Em alguns casos, o voluntariado também transforma a maneira como alguém enxerga o território onde sempre viveu.

O direito à moradia deixa de aparecer apenas como assunto de aula, pesquisa ou notícia. Ele ganha contorno na urgência de uma família, nas condições do lugar, no trabalho das lideranças comunitárias e na insuficiência das respostas públicas. Ao mesmo tempo, os moradores ocupam uma posição ativa: compartilham saberes, participam da execução, explicam sua realidade e ajudam a conduzir a jornada. A aprendizagem percorre mais de uma direção.

O que um mutirão da TETO ensina sobre a cidade

Felipe observa essa dinâmica a partir de lugares que se aproximaram ao longo de sua trajetória. Ele atua na gestão da TETO na Bahia (BA), trabalha como urbanista e pesquisa movimentos sociais, comunidades urbanas e direito à moradia.

Seu primeiro contato com a organização aconteceu em abril de 2016, durante uma Coleta, mobilização que leva o voluntariado às ruas para arrecadar recursos e chamar atenção para a emergência habitacional. Aos 18 anos e no segundo semestre da graduação em Arquitetura e Urbanismo, ele aceitou o convite de uma amiga para participar da ação. Nunca havia feito trabalho voluntário e ainda procurava entender como o acesso à universidade poderia ser transformado em uma contribuição social concreta.

Ao participar da mobilização, Felipe conheceu pessoas voluntárias, compreendeu melhor a atuação da organização e iniciou um percurso que, meses depois, o levaria ao primeiro mutirão. A vivência no terreno aproximou questões que aulas, livros e palestras ainda mantinham distantes. Na lembrança do urbanista, era necessário realizar algo na prática para alcançar aquela compreensão.

O que encontrou em campo começou a dialogar com o percurso acadêmico. De um lado, havia uma realidade concreta de desigualdade urbana, mobilização coletiva e direito à moradia. De outro, conceitos, métodos de pesquisa e instrumentos para interpretar o que via.

Nos anos seguintes, integrou a equipe fixa da TETO Bahia enquanto cursava a graduação, pesquisava e fazia um estágio na área de planejamento urbano. Em 2019, reduziu sua presença para concluir o trabalho de curso. Depois, fez mestrado sobre movimentos sociais por moradia no centro de Salvador (BA) e a defesa do direito de permanecer nesta região. Em 2023, retornou à organização como coordenador voluntário da área de construção. No ano seguinte, passou a trabalhar profissionalmente na instituição. Atuou na coordenação social da TETO Nordeste e, desde março de 2026, ocupa a gestão da sede baiana.

Seu percurso mostra uma das maneiras pelas quais uma ação pontual pode se transformar em vínculo, aprendizado e trabalho. A TETO ainda não possui um levantamento consolidado sobre quantos voluntários retornam depois do primeiro evento ou migram para uma atuação fixa. Segundo o gestor, seria necessário cruzar os registros de diferentes iniciativas para chegar a essa resposta.

Sem esse acompanhamento, não é possível dimensionar o movimento. A história dele revela uma possibilidade de continuidade e ajuda a compreender como o primeiro contato pode alcançar outros espaços da vida.

Atualmente, Felipe desenvolve uma pesquisa de doutorado sobre a maneira como movimentos sociais e comunidades urbanas incorporam o bem viver às próprias práticas e formas de organização.

O conceito tem origem no pensamento de povos originários andinos e amazônicos. Parte do reconhecimento de que os seres humanos integram a natureza e propõe outras prioridades para a vida coletiva. Nessa perspectiva, desenvolvimento não se resume ao crescimento econômico: inclui relações comunitárias, participação, meio ambiente e condições para sustentar o cotidiano.

Nas cidades, ele identifica essa visão em iniciativas como cozinhas e hortas comunitárias, espaços coletivos de decisão e práticas que colocam mulheres, crianças e pessoas idosas no centro dos debates.

A TETO não adota o bem viver como conceito institucional, e a aproximação é feita com cautela. Ainda assim, há pontos de contato em uma atuação que valoriza saberes produzidos nas comunidades, incentiva a participação e reúne diferentes pessoas em torno de uma necessidade comum.

No mutirão, essas relações aparecem em situações concretas. Quem chega com bagagem técnica escuta quem vive no território. O iniciante encontra alguém disposto a orientar. A família compartilha o que sabe sobre a casa, a comunidade e a rotina que continuará depois da entrega. As lideranças articulam esses repertórios para que a ação avance.

Essa vivência se conecta à formação cidadã, um dos pilares de atuação da TETO. Moradores ampliam o acesso a informações sobre direitos e possibilidades de mobilização. Participantes vindos de outros contextos atravessam os limites de suas rotinas e conhecem realidades que muitas vezes observavam à distância.

Felipe descreve esse deslocamento como uma saída das “bolhas de privilégio”. Ao conviver e atuar com pessoas de outros contextos, alguém pode perceber que seu próprio percurso urbano foi facilitado por condições que não estão disponíveis para todos.

Essa percepção nasce da prática. O mutirão coloca os participantes diante de uma necessidade que não pode esperar e mostra que tomar parte na cidade também envolve reconhecer desigualdades, compartilhar responsabilidades e contribuir para respostas coletivas.

Na própria trajetória, Felipe já não consegue separar o voluntário do arquiteto e urbanista porque, como explica, essas dimensões foram construídas de maneira colaborativa ao longo dos anos. A escolha do verbo ajuda a retomar a pergunta que conduz esta reportagem.

O que leva alguém que nunca parafusou a construir pode ser o convite de uma amiga, uma publicação encontrada nas redes, a vontade de participar de algo maior ou a busca por transformar saber em ação. O motivo conduz a pessoa até o terreno. O que ela encontra ali depende do espaço criado para começar, compreender o trabalho e reconhecer o que tem a oferecer.

O manual mostra medidas, materiais e etapas. Indica onde cada peça deve ser fixada e em que ordem a casa ganha forma. Ao redor de suas páginas, gente com histórias distintas aprende a dividir responsabilidades e a produzir uma resposta coletiva para uma urgência real.

Ao longo do fim de semana, a dúvida de quem chega também muda. O receio de atrapalhar cede espaço à compreensão da tarefa. A primeira tentativa traz confiança para assumir a seguinte. O contato com a família e com o território amplia o sentido de estar ali.

Quem nunca parafusou pode começar segurando uma ferramenta, posicionando uma peça e seguindo uma orientação. Ao final, talvez saia sabendo mais sobre obras e percebendo com maior nitidez como escolhas, direitos e desigualdades também desenham a cidade.

A construção é uma das portas de entrada para colaborar conosco. No caso de Felipe, foi a Coleta, outras ações podem abrir caminhos diferentes. Conheça as formas de voluntariado da TETO, encontre aquela que combina com a sua disponibilidade e participe das próximas mobilizações!

*Redatora do Blog da TETO Brasil.

Notícias relacionadas

Emergência na Venezuela: TETO (TECHO) inicia construção de moradias em agosto
Notícias

Emergência na Venezuela: TETO (TECHO) inicia construção de moradias em agosto

sábado, 01 de agosto de 2026
No Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, luta de Jacy por moradia revela a força do cuidado coletivo
Notícias

No Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, luta de Jacy por moradia revela a força do cuidado coletivo

sábado, 25 de julho de 2026
Estão abertas as inscrições para a Coleta 2026. Participe!
Artigo

Estão abertas as inscrições para a Coleta 2026. Participe!

quinta-feira, 23 de julho de 2026
  • Sobre a TETO
  • Porque existimos
  • O que fazemos
  • Modelo de trabalho
  • Transparência
  • Onde estamos
  • Mapa de Direitos
  • Voluntarie-se
  • Como doar
  • Parceria com empresas
  • Blog
  • Relatórios
  • Sala de imprensa
  • Portal do Doador
  • Ouvidoria
Facebook Twitter Instagram Linkedin Youtube Tiktok

Políticas de Privacidade

Termos de Uso

HOSTING POR DUPLIKA

Desenvolvido por Girolabs

© 2024 teto brasilSwift Casino