Por Itamar Batista
Em Recife, na Feirinha da Aurora, a voluntária Maria Eduarda Casimiro, de 22 anos, chegou às 13h e se juntou a outras pessoas voluntárias que estavam ali para denunciar que existe uma parcela da população sem acesso à moradia digna, arrecadar doações para a causa e, a partir destes valores, contribuir com o fim da pobreza no país.
O dia amanheceu ensolarado, mas ao longo da tarde o céu mudou e trouxe a chuva para os trabalhos da Coleta 2026. No total, mais de 500 jovens voluntários e voluntárias, como Maria Eduarda, participaram das ações e juntos impactaram cerca de três mil pessoas pelo país. “Felizmente, a equipe foi preparada para a mudança de clima e levou uma tenda caso chovesse”, conta Maria Eduarda, que é voluntária da TETO há um ano e meio.
O voluntariado também se reuniu, com o mesmo objetivo, em outras sete capitais brasileiras entre os dias 28 e 30 de agosto. São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, Salvador, Curitiba e São José dos Campos tiveram as ruas tomadas por pessoas que vestiram a camiseta da campanha, e o Rio Grande do Sul somou-se ao movimento com uma mobilização virtual.
Em São Paulo, a ação na avenida Paulista combinou grafitagem e apresentações de rap para chamar atenção de quem passava. No Rio de Janeiro, a instalação “Barracos x Futuro” mostrou lado a lado o que é viver em um assentamento precário e o que pode ser uma moradia digna.
Já em Brasília, Salvador, Recife e Curitiba, o voluntariado da Coleta 2026 ocupou praças, comércios e esquinas de grande movimento. A missão era simples: arrecadar fundos e explicar a causa da moradia para quem passava.
Por que a Coleta 2026 importa?
Todo o valor arrecadado vai para a construção de moradias emergenciais com previsão de construção para o mês de outubro.
“Para a TETO, retomar a nossa maior mobilização é motivo de orgulho. Mais que o valor arrecadado, é importante estar nas ruas, praças, avenidas, comércios demonstrando que a mobilização da sociedade em prol da causa da moradia digna é a melhor e mais potente ferramenta que temos condições de promover para transformar essa realidade”, explica André Costa, Gerente de Comunicação da TETO Brasil e responsável nacional pela campanha.
Essa urgência ganha um motivo a mais em 2026. Modelos climáticos internacionais apontam a possibilidade de um Super El Niño, fenômeno que intensifica as chances de eventos climáticos extremos, como grandes chuvas e secas intensas. As projeções indicam boas chances de o fenômeno se formar ainda em 2026 e se manter até o início de 2027.
No Brasil, eventos desse tipo já estiveram ligados a secas fortes no Nordeste e chuvas incomuns em outras regiões. Essas condições atingem primeiro quem já mora em habitações precárias, sem estrutura para enfrentar chuva forte, calor extremo ou deslizamentos. Por isso, construir moradias mais seguras agora também é uma forma de reduzir esse risco.
Vozes de apoio à Coleta 2026
Além do trabalho de campo, a campanha teve apoio de nomes com alcance nas redes sociais. Participaram a cantora Iza, a comunicadora socioambiental Jessi Alves, o perfil do fã-clube da Tia Milena, o Projeto Mais Amor SP, o artista visual Lenino, a comunicadora Natasha Matsushita e as influenciadoras Gessi Nadine, Wendy e Marina Guazelli.
Cada um destes ajudou a levar a discussão sobre moradia digna a um público que talvez nunca tivesse ouvido falar da TETO.
Na semana anterior às ações de rua, a equipe também esteve em empresas parceiras, Schneider e Azul. O objetivo era conversar com colaboradores e abrir novas inscrições de voluntariado.
O Dia da Camiseta, o passo antes da rua
Antes das ações da Coleta 2026, houve um movimento menor, mas com o mesmo espírito. No dia 12 de agosto, data que reúne o Dia Internacional da Juventude e o Dia da Camiseta, voluntários e voluntárias da TETO saíram de casa vestindo a camiseta branca da organização.
A cena se repete todos os anos. Alguém pergunta o que é aquele símbolo no caminho para o trabalho. Um colega de faculdade comenta que já ouviu falar da organização. Em um passeio à noite, mais uma pessoa descobre que existe uma ONG presente em 18 países que constrói moradias em 48 horas para famílias em situação de vulnerabilidade habitacional.
“Usar a camisa da TETO é mostrar a quem sonha em mudar o mundo, mas ainda não tomou a atitude, que ela não está sozinha, e que muito antes de qualquer evento ou ação existem pessoas construindo essa mudança todos os dias”, diz Keren Lima, voluntária da TETO Pernambuco.
O que vem depois da Coleta 2026
Com o fim de semana encerrado, começa a etapa seguinte: transformar o que foi arrecadado em fundação, pilotis, paredes e telhado. As primeiras construções financiadas pela campanha devem começar em outubro.





