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TETO Brasil e FICA realizam 1º Fórum Brasileiro de Moradia e Clima

  • quarta-feira, 06 de maio de 2026
Logo do 1º Fórum Brasileiro de Moradia e Clima, iniciativa organizada pela TETO Brasil e pelo Fundo FICA para posicionar a habitação como pilar da justiça climática e da resiliência urbana no Brasil.

*Por Itamar Batista

Organizado pela TETO Brasil e pelo Fundo FICA, o 1º Fórum Brasileiro de Moradia e Clima visa incluir a habitação como um dos pilares da justiça climática e da resiliência urbana, com o objetivo de posicionar uma intervenção estratégica no período pré-eleitoral e influenciar o debate político, as plataformas eleitorais e os compromissos climáticos nacionais. A escolha de Brasília não é acidental: o evento pretende engajar parlamentares e equipes de campanha em um momento decisivo para a definição de prioridades de mandato e investimentos públicos.

A escolha de Brasília não é acidental: o evento pretende engajar parlamentares e equipes de campanha em um momento decisivo para a definição de prioridades de mandato e investimentos públicos.

O evento ocorrerá no dia 11 de junho de 2026, a partir das 8h, no Memorial Darcy Ribeiro, em Brasília. As discussões serão organizadas em quatro sessões temáticas com mesas-redondas multissetoriais. Poder público, sociedade civil, academia, setor privado e representantes de comunidades afetadas pelos impactos climáticos devem debater no mesmo espaço. 

O Fórum reconhece moradores de favelas e periferias como detentores de conhecimento empírico, que sabem como  cada evento climático interfere, prejudica e ameaça a vida e a saúde nos territórios.

A partir dos debates, será elaborado um documento com evidências, experiências de território e recomendações concretas que será entregue formalmente a candidaturas presidenciais, partidos e instituições federais. Além da plataforma, a proposta é que a iniciativa conquiste compromissos públicos que posicionem as políticas em moradia como pilar para a resposta do país frente à crise climática, com continuidade e desdobramentos concretos.

Debate sobre moradia e crise climática reuniu especialistas, poder público e sociedade civil em discussão sobre habitação como eixo da resiliência urbana.

O Fórum é fruto de um processo iniciado em 2025. Em novembro do ano passado – logo após a participação da TETO Brasil na COP30 – a organização, em conjunto com o Fundo FICA e a Somauma realizou o Seminário Moradia e Clima em São Paulo (SP). As duas organizações criaram um espaço que reuniu diferentes discussões sobre habitação e clima. O evento confirmou a urgência do tema e  a demanda por um espaço nacional e permanente de discussão.

À medida que as eleições deste ano se aproximam, plataformas de governo começam a ser construídas. A TETO Brasil e o FICA acreditam que esperar a próxima tragédia para colocar a habitação no noticiário é colocar vidas em risco. É preciso agir antes que prioridades sejam estabelecidas e que novos orçamentos repitam os erros dos anteriores, deixando a adaptação e a  transição climática em segundo plano.

Quem mais sofre na emergência climática

Quando uma tragédia climática assola um território, não é o clima que define quem está em  risco. É a moradia.

O Brasil possui quase 6 milhões de famílias sem um lar adequado. Segundo a Fundação João Pinheiro (FJP), o déficit habitacional chegou a 5,77 milhões de domicílios em 2024. Mesmo com os recuos recentes, 25% das famílias brasileiras ainda vivem em condições de inadequação habitacional. São elas  que estão na linha de frente dos desastres climáticos.

O Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) identificou mais de 12 mil favelas no Brasil, onde vivem cerca de 16,4 milhões de pessoas, 8,1% da população. Esses territórios concentram moradia precária, ausência de infraestrutura e  maior exposição a enchentes, deslizamentos e ondas de calor. O IPCC, painel científico da Organização das Nações Unidas (ONU), mostra que moradores de periferias e favelas morrem 15 vezes mais devido a eventos como secas, enchentes e tempestades do que quem vive em áreas seguras.

No Brasil, conforme dados divulgados pelo Sistema Integrado de Informações sobre Desastres, entre 1991 e 2022, foram registrados mais de 23.600 eventos de desastres climáticos, com cerca 3.900 mortes e 8,2 milhões de pessoas desalojadas ou desabrigadas em ocorrências ligadas a inundações, enxurradas e deslizamentos. 

Bilhões gastos em emergências climáticas poderiam ser utilizados em prevenção

Em 2024, a maior enchente da história do Rio Grande do Sul atingiu quase 95% dos municípios do estado. O governo federal destinou mais de R$ 111 bilhões para a reconstrução. Hoje, ainda conforme a nota técnica, cerca de 1.942 municípios brasileiros são classificados pelo governo federal como suscetíveis a desastres. Dados da Confederação Nacional dos Municípios revelaram que os impactos de enchentes, secas e outros eventos extremos somam mais de R$ 732 bilhões de prejuízos às cidades brasileiras, sendo R$ 92,6 bilhões apenas em 2024. 

O país reduziu o desmatamento, desenvolveu políticas de transição energética e sediou a COP30 em Belém (PA). Porém, a moradia segue invisível nas grandes estratégias climáticas nacionais. Ignorar esse fator aprofunda desigualdades, eleva os gastos públicos com respostas emergenciais e aprofunda  vulnerabilidades que se repetem a cada novo desastre.

Duas crianças caminham por um beco de favela sob chuva, compartilhando um guarda-chuva.

Uma oportunidade para empresas que querem ir além do discurso climático

A organização do Fórum busca parceiros do setor privado para realizar o evento. Os recursos contribuirão na facilitação das mesas, garantindo a presença de representantes de comunidades afetadas, na sistematização dos debates e na produção e entrega do policy brief a candidaturas presidenciais e instituições federais. Para as empresas, trata-se de uma oportunidade concreta de associar atuação em ESG a uma iniciativa que conecta realidades territoriais, evidências técnicas e processos decisórios em escala nacional, em um momento em que as prioridades climáticas do próximo governo ainda estão sendo construídas.

Empresas interessadas em contribuir devem entrar em contato com a Diretora de Relações Institucionais e Incidência da TETO Brasil, Camila Jordan, pelo seguinte endereço de e-mail: camila.jordan@teto.org.br

Conheça a TETO Brasil e o FICA

A TETO é uma organização latino-americana presente em 18 países que mobiliza jovens voluntários para construir soluções de  moradia e infraestrutura juntamente a famílias em territórios  hipervulnerabilizados. A organização atua desde 2006 no Brasil e já mobilizou mais de 100 mil voluntários, proporcionou maior qualidade de vida para  mais de 5.300 famílias com moradias emergenciais e implementou mais de 327 projetos de impacto comunitário em sete estados.

O FICA é uma organização sem fins lucrativos fundada em 2015, dedicada ao direito à moradia. Atua por meio de incidência em políticas públicas e gestão de imóveis para famílias em situação de vulnerabilidade em São Paulo (SP) e Recife (PE), com programas de locação social, recuperação de cortiços, moradia estudantil, Housing First, entre outros.

Participe dos debates sobre moradia e clima

Se você acredita que moradia digna é um direito, que favelas e periferias não podem continuar sendo as mais atingidas pelas tragédias climáticas e que é possível transformar debate em política pública, este é o seu lugar. Inscreva-se e ajude construir as propostas que o Brasil precisa.

Inscreva-se

*Redator do blog da TETO Brasil

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