*Por Melina Cattoni
A recuperação das áreas atingidas pelas enchentes no Rio Grande do Sul ainda faz parte da rotina de muitas pessoas. Em muitos casos, recomeçar depende de algo básico: ter um lugar seguro para viver em um cenário cada vez mais instável.
É nesse cenário que a TETO Brasil e a Azul Linhas Aéreas firmaram uma parceria para construir 42 moradias resilientes ao longo de 2026. O investimento, de aproximadamente R$2 milhões, deve alcançar cerca de 720 pessoas.
O número é pequeno diante da dimensão das perdas no estado. Ainda assim, a ação indica uma mudança importante na forma de retomar a vida após eventos extremos. O risco climático passa a fazer parte do planejamento desde o começo, em vez de aparecer apenas depois de uma nova perda.
Moradia Resiliente: habitação mais segura em um cenário de eventos extremos
Essas moradias seguem um modelo desenvolvido pela TETO para territórios expostos a enchentes e chuvas prolongadas. A proposta parte de um dado cada vez mais presente em diferentes regiões do país: a intensificação dos eventos climáticos e seus efeitos desiguais sobre quem vive em condições precárias de moradia.
Nesse contexto, a habitação deixa de ser apenas abrigo e passa a cumprir também uma função de proteção. A moradia resiliente busca responder a esse cenário ao combinar segurança, estabilidade e adaptação a situações de risco recorrente.
Para as famílias atingidas, os efeitos de um desastre raramente terminam quando a água baixa. A perda do lar costuma vir junto com a perda de móveis, a interrupção do trabalho e o enfraquecimento das redes de apoio.
Reconstruir exige mais do que uma estrutura física. Também envolve criar condições mais estáveis para permanecer no território e reduzir a repetição de perdas ao longo do tempo.
Continuidade, articulação e uma agenda mais ampla
A parceria entre TETO Brasil e Azul Linhas Aéreas vem se consolidando desde 2024. Ao longo desse período, a companhia esteve presente em diferentes frentes de apoio, da mobilização de recursos para ações emergenciais ao suporte a iniciativas realizadas no Rio Grande do Sul. O projeto atual aprofunda essa trajetória ao direcionar o investimento para a retomada da moradia, uma etapa menos visível do que a resposta imediata, mas decisiva para a vida cotidiana de quem foi atingido.
A escolha também ajuda a dimensionar o papel que empresas podem assumir diante de crises sociais e climáticas. A atuação em momentos críticos é fundamental e pode ganhar ainda mais impacto quando se conecta a iniciativas de longo prazo. Neste caso, o investimento em moradias resilientes amplia a parceria para um horizonte mais duradouro, ligado à permanência das famílias e à redução de riscos futuros.
As enchentes também aumentam a visibilidade de um padrão recorrente no país. Os impactos mais severos recaem sobre populações que já viviam em condições precárias de moradia e infraestrutura. Nesses territórios, eventos extremos ampliam desigualdades já existentes. A perda do lar se soma à interrupção da renda, ao deslocamento e à fragilização dos vínculos comunitários.
A construção de estruturas mais resistentes contribui para reduzir esses danos e ampliar a estabilidade das famílias. Ao mesmo tempo, reforça a importância de avançar no acesso à moradia digna em um país onde a vulnerabilidade urbana segue distribuída de forma desigual.
Se você quer transformar esse cenário junto com a gente, conheça as formas de atuação da TETO e como apoiar iniciativas de moradia em todo o país.
*Redatora do blog da TETO Brasil.


