Por Sarah Mariah e Itamar Batista
ESG é o termo do momento no mundo corporativo. Você o ouve em comerciais, reuniões, calls e cafés executivos. Mas o que ele significa de verdade, e qual o impacto dele na vida das pessoas? Ou melhor: como o ESG pode chegar até a TETO?
Em resumo, ESG é a sigla em inglês para Environmental, Social and Governance, ou Ambiental, Social e Governança. Trata-se de um conjunto de critérios que avalia o impacto de uma empresa no meio ambiente e nas pessoas, além da qualidade da sua gestão, indo além do resultado financeiro.
A expressão nasceu em 2004, no relatório Who Cares Wins, fruto de uma iniciativa do Pacto Global da ONU que reuniu instituições financeiras para debater como esses fatores influenciam o valor das empresas no longo prazo. Mais de duas décadas depois, o ESG orienta decisões de investimento, exigências regulatórias e as expectativas de consumidores e colaboradores.
Das três letras, o “S” é a que mais exige ação concreta fora da empresa. Metas ambientais podem ser medidas dentro das operações, e a governança, dentro da gestão. Já o impacto social depende de chegar às pessoas e comunidades onde as desigualdades acontecem. É nesse ponto que o investimento social entra: ele transforma o compromisso declarado no relatório em resultado, por meio de organizações que já têm presença e metodologia no território. A TETO é uma delas. Ao atuar com comunidades em situação de vulnerabilidade, a organização oferece às empresas um caminho para que o pilar social do ESG deixe de ser apenas um indicador e passe a ser uma mudança verificável na vida das famílias.
Os três pilares do ESG
Ambiental (E). Olha para a relação da empresa com o planeta: emissões de gases de efeito estufa, consumo de água e energia, gestão de resíduos, uso de recursos naturais e metas climáticas.
Social (S). Olha para as pessoas: colaboradores, fornecedores, clientes e comunidades. Inclui diversidade, condições de trabalho e direitos humanos na cadeia de fornecimento, além do investimento social, como parcerias com organizações da sociedade civil e voluntariado corporativo.
Governança (G). Olha para como a empresa se gerencia: transparência com acionistas e investidores, combate à corrupção, independência do conselho, compliance e prestação de contas.
Os três pilares são avaliados em conjunto. Uma boa política social, por exemplo, dificilmente compensa um problema ambiental grave.
No Brasil, desde 2023, a Resolução CVM nº 59 obriga as companhias abertas a divulgar, em seus formulários de referência, informações estruturadas sobre práticas ambientais, sociais e de governança, ou a justificar formalmente por que não o fazem. A norma não fixa metas de desempenho, mas amplia a transparência, e o mercado passou a cobrar dados em vez de discurso institucional. E os dados sugerem que investir em ESG compensa: uma meta-análise da NYU Stern e da Rockefeller Asset Management, que revisou mais de mil estudos publicados entre 2015 e 2020, encontrou relação positiva entre ESG e desempenho financeiro em 58% das pesquisas corporativas analisadas. Apenas 8% apontaram relação negativa. Os pesquisadores também observaram que o efeito tende a ficar mais evidente em horizontes de tempo mais longos.
ESG e investimento social
ESG é um sistema de avaliação de práticas. O investimento social privado, em que a empresa destina recursos, produtos ou horas de voluntariado a causas sociais, é uma das formas de atuar no pilar Social. O ESG abrange também clima, governança e toda a cadeia de valor.
O investimento social no país está em expansão e mais seletivo. O Censo GIFE 2024-2025, que ouviu 138 organizações associadas (84% da base do GIFE), registra R$ 5,8 bilhões em Investimento Social Privado em 2024, o segundo maior valor da série histórica, atrás apenas do ano da pandemia. Só 15% desses recursos vêm de incentivo fiscal; a maior parte é investimento voluntário e estratégico das próprias empresas. Nesse cenário, causas estruturadas, com dados, transparência e evidência de impacto, têm vantagem na atração de parceiros corporativos.
A educação continua sendo a principal área de atuação (67% das organizações), mas já foi 84% em 2016. O investimento social se diversifica para agendas como clima e inclusão produtiva, onde o acesso à moradia digna pode ganhar espaço.
Greenwashing e Purpose Washing
Purpose washing acontece quando uma empresa divulga parcerias sociais ou ambientais sem lastro, sem dados verificáveis e sem proporção com o que realmente investiu, usando uma boa causa para encobrir fragilidades da operação. No recorte ambiental, o nome é greenwashing.
Um estudo da consultoria TerraChoice, que popularizou os “sete pecados do greenwashing”, encontrou indícios de comunicação enganosa em 98% dos produtos analisados com apelo ambiental. Com uma incidência dessas, convém verificar antes de validar uma parceria ou uma comunicação ESG: há números, prazos e contrapartidas claras por trás do discurso?
A atuação da TETO
A TETO atua no pilar Social porque trabalha em comunidades vulnerabilizadas, mobilizando voluntariado, para propor e executar soluções em moradia e habitat. Tem efeito também no pilar Ambiental, ao promover moradia mais segura e adequada em territórios expostos a riscos climáticos.
Empresas que querem aplicar o conceito de forma mensurável e transparente podem recorrer ao voluntariado corporativo estruturado. Ele envolve os colaboradores e gera dados de impacto social, o tipo de evidência que investidores e consumidores passaram a pedir.
Para conhecer os formatos de parceria da TETO com empresas e o histórico de voluntariado corporativo da organização, acesse br.techo.org/parcerias.
* Redatora e Editor no Blog da TETO Brasil

